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Tour 360 ou vídeo do imóvel: qual contratar?

Sala de apartamento vazio com uma câmera 360 num tripé de um lado e um gimbal com câmera sobre uma banqueta do outro.

Se você quer que o interessado explore o imóvel sozinho, no ritmo dele, contrate o tour 360. Se quer mostrar o imóvel como um passeio guiado, com clima, e levar o anúncio para as redes sociais, contrate o vídeo. O tour responde "o que tem em cada canto?". O vídeo responde "como é estar lá?".

A diferença está em quem conduz. No tour, é quem visita: gira o olhar, pula de um ponto ao outro e volta à cozinha quantas vezes quiser. No vídeo, é quem filmou: escolhe o caminho, a ordem e o tempo de cada cômodo.

Se você quer...

  • atrair quem mora longe ou vai mudar de cidade: tour. A pessoa "visita" antes de viajar. O tour vai por link, no WhatsApp ou num QR code (o quadradinho lido pela câmera do celular), e abre sem instalar nada.
  • receber menos visitas só por curiosidade: tour. Quem marca a visita já viu a disposição dos cômodos.
  • postar nas redes sociais: vídeo. Ele abre em qualquer tela e rende versões curtas, inclusive na vertical.
  • contar uma história, com música, narração ou texto na tela: vídeo.
  • mostrar o caminho real, andando de um cômodo para o outro: vídeo, feito com estabilizador (como o gimbal) e lente grande-angular.

Onde o tour erra

Na hospedagem. Na maioria dos casos, o tour não é um arquivo que você guarda. Ele fica numa plataforma que costuma cobrar mensalidade, em geral na conta de quem fez o tour.

No link que some. Se a assinatura para, o que acontece muda de uma plataforma para outra. Em algumas, recursos somem; em outras, o tour sai do ar até ser reativado. O link do anúncio pode parar de abrir meses depois (detalhes no texto sobre a câmera 360).

No celular. O tour é pesado. Com internet móvel fraca, ele pode demorar a abrir, e quem procura imóvel no celular costuma desistir de página lenta. Botão pequeno ou que briga com o toque na tela também atrapalha.

No que ficou à vista. A foto 360 pega tudo em volta: gente no corredor, chinelo no chão, toalha na porta. Arrume antes e combine onde você fica durante a captação. Casa grande pode passar de cem fotos 360, e é bom ter ponto em cada passagem, como porta e escada, para o passeio ligar um cômodo ao outro.

Onde o vídeo erra

Não deixa o comprador voltar ao cômodo. Quem quer rever o banheiro precisa retroceder ou adiantar o vídeo até achar a cena. E só vê o que a câmera mostrou, pelo tempo que ela mostrou.

Começa pela logomarca. Nas redes, quem rola a tela decide em poucos segundos. O imóvel precisa aparecer logo, com legenda escrita, porque muita gente assiste sem som.

Envelhece com a reforma. O vídeo mostra o imóvel do dia em que foi gravado. Trocou o piso ou pintou a sala, o trecho fica velho, e corrigir costuma pedir nova gravação e nova edição. No tour, muitas plataformas deixam trocar só a foto 360 de um ponto, desde que a nova seja feita do mesmo lugar.

Vale para os dois: imagem que não mostra mais o imóvel como ele está pode enganar quem compra ou aluga. O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90, art. 37) proíbe a publicidade enganosa, inclusive a que deixa de informar dado essencial. Num caso concreto, procure o Procon ou converse com um advogado.

Quando você não precisa de nenhum dos dois

As fotos vêm primeiro. Nosso conselho: num anúncio, comece pelas fotos; tour e vídeo vêm depois delas.

Para apartamento pequeno de aluguel, imóvel simples ou interessado da mesma cidade, que vai visitar de qualquer jeito, boas fotos muitas vezes bastam. Uma planta baixa simples também ajuda a entender a disposição dos cômodos. Veja como é uma boa sessão de fotografia de imóveis.

Os dois juntos

Fazem sentido em imóvel grande, de alto padrão, ou à venda para quem mora longe. Uma divisão comum: o vídeo atrai, nas redes; o tour serve a quem já se interessou e quer conferir antes da visita; as fotos ficam sempre. Com a mesma equipe, pergunte se dá para fazer tudo na mesma visita, com o imóvel arrumado uma vez só.

Quanto custa cada um

Tour e vídeo muitas vezes entram como extras do pacote de fotos, cobrados à parte. As faixas de preço estão nos dois textos linkados acima: o da câmera 360 traz o tour sozinho; o de fotografia de imóveis, o pacote completo. No tour, conte também a hospedagem depois do prazo incluído.

Antes de contratar, pergunte

  1. No tour: na conta de quem ele fica, por quanto tempo a hospedagem está paga e quanto custa depois.
  2. No tour: se as fotos 360 vêm em arquivo, para não depender de uma conta só.
  3. No vídeo: se o arquivo vem junto, e não só um link, em versão horizontal e vertical.
  4. No vídeo: se a música pode ser usada no anúncio e nas redes.
  5. Nos dois: quanto custa atualizar um ponto do tour ou um trecho do vídeo se o imóvel mudar.

Nosso conselho: comece pelas fotos e pense em quem vai comprar. Nenhum dos dois substitui a visita: eles ajudam a escolher qual imóvel visitar. Quem mora longe ou quer conferir cada canto pede o tour. Quem ainda precisa ser fisgado nas redes sociais pede o vídeo. E abra o resultado no celular, fora do wi-fi, como o comprador vai abrir.

Setor de imóveis